O colesterol assassino e óleo que ficou saturado
Os “experts” e as revistas continuam os mesmos...
Vai haver um tempo em que as pessoas vão conhecer melhor a própria biologia e dessa forma se transformarem em críticos mais perspicazes desses “experts” que costumam falar na televisão e ou em outros veículos de mídia.
Isso certamente vai fazer muita diferença e talvez possa impedir de ouvirmos insensatezes como aquela foi dita por um desses “experts” em uma reportagem à respeito do ovo. Quando foi falar do ovo frito, ele disse que deveríamos tomar cuidado em função de que a fritura deixa a gordura saturada. Como já foi apresentado em outro artigo anterior (**) os óleos vegetais fritos podem se transformar ou gerar muitas coisas, menos gordura saturada! Podem gerar compostos polares, que incluem ácidos graxos oxidados prejudicais a saúde e sempre presentes no final de um processo de fritura.
Para comer ovo o ideal é fritar em pouca manteiga, ou banha (de porco ou de coco). Já que voltamos a reconhecer que um alimento multi-secular como o ovo é saudável - como os antepassados de nossos antepassados já sabiam sem precisar utilizar de sofisticados institutos de pesquisas, nem mobilizar seus cientistas para tamanho desafio intelectual – é bem mais interessante se utilizar produtos também pra lá de tradicionais na sua feitura. As gorduras saturadas são altamente estáveis ao calor e pouco se danificam sob o fogo, garantindo qualidade alimentar superior.
Quando disse que as frituras em óleos geravam produtos saturados o “expert” tentava mostrar que sabia que havia algum problema com as frituras. Mas caiu no vazio intelectual que amordaça a cognição da maioria das pessoas na sociedade atual. Tanto se fala que gordura saturada faz mal que dizer tal mediocridade científica fugiria do risco de não se dizer algo correto.
Mas parece que as coisas continuam como sempre estiveram em termos de se preservar mitos que mantém um clima de amedrontamento para as pessoas comuns. Uma revista especializada em saúde masculina coloca em sua capa: “Como se livrar do colesterol assassino”. Um artigo colocado em nosso site parece convidar para o lado oposto. O dr. Uffe Ravnskov, traz a tona uma visão audaciosa a respeito do colesterol. As taxas altas são protetoras! O LDL pode ser útil! Seu artigo fala de uma série de pesquisas que demonstra o quanto é necessário que se dê voz as várias vertentes da investigação do meio científico. Esse artigo é muito instigante, mas sublinha um aspecto já discutido em outros textos: quais são as premissas do aumento do colesterol? Quais são seus significados? Por que o organismo se prontifica a aumentar suas taxas à medida que a idade vai aumentando? Por que o organismo vai elevando o colesterol em momentos em que o indivíduo está sob mais sofrimento, sob mais stress? Por que o fígado se incumbe de fazer crescer as taxas desse fundamental insumo hormonal e das células em geral? Seria por uma mera esquizofrenia corporal? Será que o corpo quer deliberadamente se envenenar, quebrando a mais primária de todas as lógicas da vida biológica: os organismos fazem todos os esforços para se manterem vivos, e buscam todos os recursos para voltarem a uma situação de equilíbrio?
São questões que precisam de respostas. E tais respostas podem ser simples. Mas a manutenção da “lipídio-fobia” é base para uma tremenda sucessão de eventos do mundo moderno, que inclui a transformação de produtos alimentares, a pesquisa, fabricação e comércio de medicamentos, a popularização de demandas sociais dispendiosas para a manutenção da saúde como exames e outras rotinas médicas, nutricionais, além do comércio do fitness, entre tantos outros apêndices dessa formidável máquina mercantil, muito mais do que uma máquina para a saúde, visto que nunca tivemos tantos obesos, hipertensos, cardiopatas e etc. De qualquer forma a sociedade não toma qualquer atitude para diminuir a pressão sobre as pessoas ou transformar as rotinas urbanas em facilitadoras para a felicidade.
De qualquer forma cumpre assinalar que o colesterol com certeza não é assassino, que os óleos vegetais fritos sob hipótese alguma vão gerar gorduras saturadas e que podemos comer de forma bem antiquada sem colocar em risco a saúde do coração.
(José Carlos Brasil Peixoto)
(Obs.: A revista citada é a Men's Health, de novembro de 2006, ed. Abril)
(**) Artigo: os Alimentos mais perigosos
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