FRUTOSE (E OUTROS AÇÚCARES):

DIABETES, OBESIDADE E OUTROS PROBLEMAS

 

O xarope de milho é uma grande fonte dietética dos americanos.

Estudos acrescentam mais evidências para acusações contra o

 excesso de consumo de todas as formas de açúcar.


Por Craig Weatherby

Trad.: José Carlos Brasil Peixoto

 

Essa não é uma crônica comum sobre os perigos do xarope de milho com alto teor de frutose (HFCS).

Muitos observadores responsabilizam o crescimento do uso do HFCS como um adoçante pela diabete e obesidade epidêmica da América.

Essa opção de adoçante foi escolhida pelo custo crescente do açúcar de cana (sacarose pura) aos fabricantes Americanos nas décadas recentes, e o custo em queda do fortemente subsidiado milho e seus subprodutos como o HFCS.

Mas sempre existiram problemas sub-relatados a respeito da hipótese do HFCS incrementar obesidade e diabete.

Pontos chave:

1)     Hipótese persuasivas apontam uma incriminação principal para a frutose nas taxas crescentes de obesidade e de diabetes.

2)     O problema parece se originar do consumo em excesso tanto de  xarope de milho ou açúcar de cana.

3)     O xarope de milho e o açúcar de cana possuem quantias semelhantes de  frutose, e podem compartilhar a responsabilidade pela obesidade e diabete.       

Por uma coisa, nós estamos vendo os mesmos tipos de aumentos em diabete e obesidade em países onde o preço do açúcar de cana não é artificialmente alto, e os fabricantes de doces e refrigerantes não trocaram do açúcar de cana pelo HFCS.

Se o HFCS fosse o vilão, então as pessoas de outros países que consomem doces e refrigerantes adoçados com sacarose não deveriam estar engordando e ficando diabéticos tão rapidamente quanto os americanos.

Dois anos atrás, uma equipe da Universidade da Flórida propôs uma hipótese intrigante para explicar por que a frutose é a mais nociva forma de açúcar.

Existe tanta frutose no açúcar de cana como no HFCS, então, isto explicaria por que as pessoas que comem muito açúcar sob qualquer forma – HFCS ou açúcar de cana (sacarose) – se tornaria mais propenso para a obesidade e a diabete, aproximadamente nas mesmas taxas.

Ambos, HFCS e o açúcar de cana, têm 50% de glicose e 50% de frutose.

1)     Açúcar de cana é sacarose pura: Uma combinação que consiste em uma molécula de cada um, glicose e frutose.

2)     A maioria do HFCS é 45-55 por cento frutose, e o restante sendo glicose.

Uma diferença é que a sacarose acontece naturalmente no xarope de cana e na maior parte de frutas, enquanto as várias formas de HFCS são combinações sintéticas de frutose e glicose, nenhuma dos quais acontece na natureza.

Alguns discutem se existe algo na estrutura do HFCS que faz sua frutose pior que a frutose da sacarose, mas até agora, esta hipótese apresenta falta de evidências.

A equipe da Flórida propõe que os doces e refrigerantes de todos os tipos são nocivos porque eles contêm níveis altos de um ou outro, HFCS ou açúcar de cana, conseqüentemente quantias igualmente grandes de frutose.

A seguir, na forma de manchete de furo de reportagem, as mais provocativas evidências que eles apresentaram, e que deveriam nos tornar todos muito mais astutos para apreciar doces ou alimentos e bebidas adocicadas em quantidades muito menores.

A Equipe de Pesquisa da Flórida Apresenta Fortes Evidências Contra a Frutose:

Nossa história começa em 2006, com publicação de um artigo pela Universidade de pesquisadores da Flórida.

O grupo da Flórida percebeu que a subida nas taxas de obesidade e síndrome metabólica marcante das últimas duas décadas coincide com um marcado aumento no consumo norte-americano de frutose (Johnson RJ et Al. 2007).

Apesar de sugestiva esta correlação não pode comprovar causa e efeito. Entretanto um grupo guiado pelo nefrologista Richard Johnson, PhD, construiu um modelo persuasivo consistindo em três passos lógicos (Heinig M, Johnson RJ 2006):

Diferentemente de outros açúcares, os níveis de frutose do sangue promovem rapidamente a subida do ácido úrico.

O ácido úrico no sangue reduz os níveis de óxido nítrico (ON), especialmente na camada endotelial de nossas artérias, denominado "óxido nítrico endotelial (endothelial NO)".

NÃO melhora a eficiência de insulina, aumenta o fluxo de sangue para o músculo, e aumenta a reabsorção de glicose.

Os animais que tem falta de óxido nítrico endotelial desenvolvem resistência à insulina e outras características da síndrome metabólica: Um agrupamento de sintomas relacionados ao aumento do risco de diabetes e doença cardiovascular.

Então, os Floridenses propõe que a epidemia atual de síndrome metabólica é devido em parte  ao aumento no sangue de ácido úrico promovido pela frutose, o que reduza o nível de óxido nítrico endotelial e induz a resistência à insulina.

Sua hipótese é sustentada pelo seguinte fato, que assim eles escreveram, "… mudanças nos níveis de ácido úrico médio correlacionam com a prevalência crescente da síndrome metabólica nos EUA e nos países em desenvolvimento."

Os pesquisadores propõem uma classificação para os alimentos: “o Índice de Frutose”

Nós não ouviríamos falar do persuasivo processo da Equipe da Flórida contra a frutose até nós recebermos sua recente proposta de substituir o popular índice glicêmico por "índice de frutose".

Como você provavelmente já sabe, o índice glicêmico é usado por diabéticos para se classificar alimentos pela quanto eles elevam os níveis de açúcar no sangue. (As palavras: glicêmico e glicose ambos vêm da palavra grego glukus, querendo dizer "doce".)

O índice glicêmico (IG) é uma balança onde costumava se classificar os carboidratos baseando-se na sua habilidade de elevar os níveis de glicose no sangue.

E o índex IG foi popularizado em best-sellers como uma maneira de selecionar alimentos para reduzir o risco contra a obesidade, a diabetes, e a doença cardiovascular, todas as quais são ligadas às altas taxas crônicas de açúcar no sangue e seu resultado perverso: uma desordem metabólica pré-diabética conhecida como "resistência à insulina", que é uma crescente falência de nossas células reagirem aos comandos enviados pela insulina.

A diabete tipo II é sempre precedida por uma resistência de insulina, que é o fracasso de nossas células de serem sensíveis à insulina, conseqüentemente há falha em absorver a glicose do sangue como deveriam fazer, deste modo piorando o controle do açúcar no sangue.

O grupo de pesquisa da Flórida observou que a escala IG é melhor para identificar alimentos que estimulam a liberação da insulina (por elevação dos níveis de glicose no sangue) o que define alimentos que estimulam a resistência à insulina (Segal MS et Al. 2007).

Curiosamente, dietas com reduzida glicemia(*) não têm sida provadas serem particularmente boas em promover perda de peso, o que sugere que elas possam não ser úteis em prevenir a diabete como tem sido geralmente presumido.

A Equipe da Flórida observou que as correlações observadas entre dietas com IG elevado de um lado e diabetes e doenças cardiovasculares de outro lado são relacionadas ao consumo elevado de açúcar de cana ou HFCS, porque ambas tem 50% de frutose, e ambas têm elevados IG devido a seu alto conteúdo de glicose.

Pesquisas do dr. Johnson sugerem que, comparado com o conteúdo de glicose, a frutose contida nos alimentos açucarados é muito mais responsável em promover diabetes e doença de coração. (Com certeza o consumo excessivo de glicose não é bom, de forma alguma.)

Por último, sua hipótese os levou a propor para o uso de um índice de frutose para classificar alimentos e propõe estudos para determinar a efetividade de dietas com baixa frutose na redução do risco de obesidade, diabetes, e doença cardiovascular.

Estes assuntos são complexos, e o tempo dirá, mas a população da Flórida teve uma causa satisfatória.

 

(*) Não está explicitado no texto, mas possivelmente se trate de dietas com alimentos com adoçantes artificiais. (NT)

Fontes:

1)    Segal MS, Gollub E, Johnson RJ. Is the frutose index more relevant with regards to cardiovascular disease than the glicêmico index? Eur J Nutr. 2007 Oct;46(7):406-17. Epub 2007 Sep 1.

2)    Johnson RJ, Segal MS, Sautin Y, Nakagawa T, Feig DI, Kang DH, Gersch MS, Benner S, Sánchez-Lozada LG. Potential role of sugar (frutose) in the epidemic of hypertension, obesity and the metabolic syndrome, diabetes, kidney disease, and cardiovascular disease. Am J Clin Nutr. 2007 Oct;86(4):899-906. Review.

3)    Heinig M, Johnson RJ. Role of uric acid in hypertension, renal disease, and metabolic syndrome. Cleve Clin J Med. 2006 Dec;73(12):1059-64. Review.

 

Veja mais artigos do autor:

http://chetday.com/highfructosecornsyrup.htm

http://www.sugars4life.com/blog/

 

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